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Tarefa de Tite é impedir que frustração inicial atrapalhe os planos na Copa

Tite tem alguns mantras na seleção brasileira, e um deles diz respeito à cabeça do grupo. Seus alertas para a relevância da questão psicológica são tão recorrentes que o termo “mentalmente forte” virou até hashtag. Justamente esse aspecto estará posto à prova nos próximos dias, depois do empate com a Suíça na Copa do Mundo.

Não transformar o 1×1 num bicho de sete cabeças é o desafio. O resultado não foi nenhum desastre, inclusive para as pretensões de classificação, mas a equipe, sob comando do técnico, até então não havia passado por frustrações. Lidar bem com isso é uma missão que o lado psicólogo de Tite começou a trabalhar já no vestiário da Arena Rostov, minutos depois do jogo.

Curiosamente, numa Seleção que prioriza tanto a força mental não há lugar para um psicólogo especialista. É o próprio treinador quem assume esse papel numa comissão técnica turbinada, principalmente, por mais analistas de desempenho e fisioterapeutas do que em outros tempos.

– Isso tudo é passado pelo Tite, conversado, talvez seja um dos grandes pontos fortes dele, saber trabalhar a cabeça do atleta. Ele sempre falou em estar mentalmente forte e jogar em alto nível, preparar para todas as situações do jogo. Num campeonato de tiro curto, temos de estar preparados para tudo. Hoje podíamos ter perdido o jogo – ponderou Renato Augusto, um dos que mais conhecem os métodos do técnico, desde os tempos de Corinthians.

Na véspera da estreia, Tite citou o “mentalmente forte” como uma das frases que, segundo em ele, em tom de brincadeira, os jogadores não devem mais aguentar ouvir. Horas depois, a médica Andreia Picanço postou uma foto em sua rede social com essa hashtag.

Depois do 1×1, Tite não esperou nada para começar a trabalhar a mente dos atletas. Tentou tirar deles a função de criticar a arbitragem por não ter marcado falta de Zuber em Miranda no lance do gol suíço. Ainda assim, nem todos seguiram a orientação. Thiago Silva, Neymar e Marcelo, três dos mais experientes, reclamaram a irregularidade.

Tite também já vinha preparando o espírito do grupo para uma adversidade. Quando disse, por mais de uma vez, que é possível se classificar até mesmo com cinco pontos na primeira fase, o técnico pensou em afastar desesperos por resultados como o de Rostov e manter a concentração para evitar uma queda.

– Isso é o mais importante, é o que temos de fazer, seguir mentalmente fortes. Não foi o resultado que queríamos, mas temos mais dois jogos importantes e vamos continuar trabalhando forte, da mesma maneira, para conseguirmos as vitórias – disse o meia-atacante Willian.

Desde que passou a trabalhar na Seleção, em junho de 2016, o coordenador Edu Gaspar jamais colocou a presença de um psicólogo como prioridade. Muito pelo contrário. Argumenta não ter certeza de que um profissional seria mesmo benéfico nessas condições, de reuniões esporádicas e de pouco tempo, e confia, assim como os jogadores, no tato de Tite para assumir esse papel.

– O Tite é um bom psicólogo – sintetizou o chefe em Moscou, no fim do ano passado, na véspera do sorteio que definiu os grupos da Copa do Mundo.

Do G1


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