- Jornalismo
- 12 de setembro de 2018
Religião e Política
Fragmento de uma reflexão que nos ajuda a pensar o atual cenário da política partidária nacional atrelada a convicções religiosas fundamentalistas (Evangélicas/Católicas).
A compreensão do filósofo francês Christian Delacampagne ao afirmar que “O problema é que, a partir do momento em que numa sociedade qualquer os partidos religiosos assumem importância excessiva, o jogo político fica prejudicado. […] Os partidos religiosos são, como parceiros sociais, jogadores que não respeitam as regras. Sua ambição não é a partilha do poder, mas seu confisco” (DELACAMPAGNE, 2001, p. 33-34).

Charge / Latuff
O referido autor chama a atenção para o fato de que em uma comunidade política democrática os princípios da laicidade e da tolerância religiosa são fundamentais para manter a própria democracia. Quanto à tolerância religiosa, o Estado é obrigado a garantir que todas as expressões de fé, ou mesmo sua negação, sejam preservadas e, desta forma, pressupõem a garantia da separação entre religião e política, ou separação entre Igreja e Estado. A religião tem direitos no espaço privado, enquanto o Estado tem direitos de legislar no espaço público. Contudo, essa laicidade apregoada é muito frágil e, com o avanço do fundamentalismo religioso, a própria democracia torna-se ameaçada (DELACAMPAGNE, 2001, p. 29-41).