- Jornalismo
- 8 de agosto de 2021
Dororo: readaptação de um clássico japonês que você precisa assistir

Vocês conhecem o sensei Osamu Tezuka? Ele é famoso por suas histórias como Astro Boy, Kimba e Black Jack. Se você conhece e já gosta, você precisa conhecer Dororo!
Sempre que procuramos um anime acreditamos que deve ter um enredo que nos chame atenção e não repita contextos de outras histórias. Dororo pela sua breve sinopse pode nos deixar um pouco confusos, por misturar elementos diversos, como o Japão Feudal, Samurais, Demônios e lendas folclóricas japonesas, mas o desenrolar da trama ele acaba agradando os espectadores e tudo se encaixa fazendo sentido.
A história, originalmente publicada em 1967 em 4 volumes, ganhou sua primeira adaptação para televisão em 1969. Já o anime, foi produzido em 2019 e está disponível no Prime Video.

O período é a era Sengoku, Daigo é o chefe de uma província devastada pelas guerras e pragas, vendo as condições que a sua província se encontra, ele decide ir até o Salão do Inferno e promete aos demônios que se ela prosperasse ele faria qualquer acordo. O problema dessa promessa é que ele está prestes a se tornar pai de seu primeiro filho.
Nui esposa de Daigo dá a luz, mas o bebê nasce completamente sem pele, sem membros, sem nenhum sentido e com órgãos deformados. Daigo percebe que esse era o pagamento para os demônios. O chefe da província pede, então, que abandonem a criança para morrer, porém a empregada da casa a deixa a criança em um barco, onde o doutor Jukai o encontra. O médico passa criar a criança, sentindo o peso do seu passado como assassino. Ele dá o nome de Hyakkimaru, constrói próteses para seus membros deformados e ensina a arte do combate samurai.
Enquanto isso, Daigo e Nui tem um segundo filho e sua província começa a prosperar, mas a dor de Nui durante toda história é constante, já que ela não se perdoa por abandonar o filho. Como consequência, o outro filho, chamado Tahomaru, não recebe amor e carinho suficiente da mãe.
Seguindo a história de Hyakkimaru, percebemos que o jovem possui apenas o sentido de detectar presenças espirituais boas e ruins. Ao longo de seu treinamento, ele descobre, ao ser atacado por um demônio, que a única forma de conquistar seu corpo de volta é derrotando esses seres do mal, que retiraram seu corpo através do pacto feito por seu pai. Em uma de suas viagens, Hyakkimaru encontra Dororo, que o acompanha na jornada para destruir os demônios e conhecer sua verdadeira origem.

As histórias que desenvolvem a trama possuem diversos combates, a cada personagem novo que conhecemos nos deparamos com um passado triste, ao mesmo tempo, cada demônio derrotado por Hyakkimaru, faz com que ele continue conquistando novas partes do seu corpo e conhecendo sua dor. Os momentos de combate são intensos e carregados de tristeza.
Dororo tem papel fundamental em guiar Hyakkimaru cidade após cidade enfrentando desafios em busca da verdade. Ao chegarem na província de seu pai, Hyakkimaru conhece seu irmão, eles, porém, acabam entrando em conflito, pois Tahomaru quer provar seu valor para seu pai derrotando o jovem, chamado de “demônio”, que retornou para trazer o caos e pragas para província.
As províncias entram em guerra e colocam a região em caos. Tahomaru não perdoa sua mãe Nui por nunca ter dado amor e pensar apenas em seu irmão e seu pai entra em desgraça ao saber que seu filho está vivo e quer o corpo de volta, que foi parte do acordo. Em um momento de loucura, Tahomaru entrega sua alma para os demônios em busca de vingança contra seu irmão e entra em um combate violento no castelo de Daigo.

A qualidade do anime é excepcional. A caracterização da época com confrontos épicos e sangrentos tem traços de extrema qualidade. Também é um ponto positivo do anime, as histórias tristes no decorrer da trama, que fazem com o telespectador se envolva cada vez mais e torça para o personagem principal. A busca de poder e o egocentrismo são marcantes, a dor presente na conquista de cada parte do corpo, pelo protagonista, e a dor sentida pelos personagens que buscam redenção pelos seus erros, e por fim a utilização de traços culturais de lendas japonesas faz com que tudo se encaixe perfeitamente no roteiro.
Assista ao trailer:
Douglas Klann - Redação Tem