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Acusado de tentar matar a ex-esposa com um facão vai a júri em Londrina

Imagem: Reprodução

O Tribunal do Júri de Londrina julga, nesta quinta-feira (27), às 9 horas, Reginaldo Pedroso, acusado de feminicídio tentado contra Fernanda Valéria Santos da Silva, com quem conviveu por sete anos e teve duas filhas. Ela tem ainda um filho mais velho, de relacionamento anterior, à época com 15 anos, que presenciou a tentativa de assassinato da mãe.

A acusação é qualificada por motivo torpe, com a agravante de que o crime foi executado na presença do filho da vítima.

Fernanda tinha 31 anos no dia 1 de dezembro de 2020, quando Reginaldo tentou matá-la com um facão em frente ao seu filho mais velho. Na época, já estavam separados há três anos e ela iniciava um novo namoro, o que foi apontado como motivação para o crime.

Os autos revelam que Fernanda chegou a registrar Boletins de Ocorrência e pedido Medida Protetiva de Urgência (MPU) contra Reginaldo em algumas ocasiões, mas os processos foram arquivados.

No ano anterior, Reginaldo já havia feito ameaças a ela e suas filhas, dizendo que “mataria todo mundo”. Na ocasião, Fernanda ficou um tempo escondida e depois teve que retomar sua rotina por necessidades econômicas. Ele chegou a afirmar algumas vezes que quando Fernanda saísse para trabalhar, iria até a casa dela e colocaria fogo no imóvel com os filhos dela dentro. Fernanda tinha medo das ameaças de Reginaldo, mas “sempre tentava apaziguar, por causa das crianças”.

Apesar do histórico de conflitos e das ameaças, Fernanda vivia sozinha com três filhos (um adolescente de 15 anos e duas meninas de 7 e 5 anos, essas filhas também de Reginaldo) e, por isso, eventualmente recorria ao ex-companheiro para pedir apoio, como pequenos consertos na casa. Na data do crime, um vazamento na casa motivou o pedido de ajuda.

Naquela mesma noite, Fernanda recebeu a visita de seu namorado, que ficou do lado de fora da casa. Reginaldo soube que ele estava no local, foi até lá, conversou brevemente e retirou-se. Um tempo depois, voltou armado com facão e tentou atacar o namorado da ex-companheira. Fernanda convenceu o namorado a deixar o local e, quando estavam sozinhos, Reginaldo feriu-a com o facão. Ela tentou se defender e gritou pelo filho adolescente. Vários vizinhos chegaram e conseguiram conter Reginaldo que, logo na sequência, fugiu do local, sendo preso mais tarde na casa de sua mãe.

Na época da denúncia, a defesa alegou que Reginaldo nunca teve a intenção de matar Fernanda e pediu absolvição sumária do réu. Constrangida e envergonhada, ela não quis indicar testemunhas, como o namorado e vizinhos. Consultados, vizinhos teriam se recusado a testemunhar. Durante toda a fase de instrução do processo, Fernanda não contou com assistência jurídica, apesar da previsão deste direito na Lei Maria da Penha.

Redação Tem Londrina com Néias


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