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Reunião em Londrina amplia debate sobre segurança nas escolas

Imagem: Divulgação

Reunião realizada nesta quarta-feira (12) sobre a segurança nas escolas em Londrina e cidades da região reuniu deputados estaduais, prefeitos, vereadores, chefes de núcleos regionais, professores, diretores de escola e especialistas em segurança pública e educação. O encontro foi organizado pelo deputado Tiago Amaral (PSD).

Quatro comissões da Alep se uniram para promover o debate: Constituição e Justiça, Segurança Pública, Educação e Saúde. O encontro aconteceu na ExpoLondrina, durante a Assembleia Itinerante, iniciativa que trouxe o legislativo estadual para o Parque Ney Braga durante o evento.

O coronel Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública do Paraná, afirmou que a pasta está coordenando tarefas após os ataques ocorridos em São Paulo e Santa Catarina. “Nós já estávamos atentos, considerando o que ocorreu em outros estados e também nos Estados Unidos. A PM está empregando mais de 5 mil homens exclusivamente para esse tipo de ocorrência. São 1700 viaturas, 180 motocicletas e 4 aeronaves cuidando do policiamento em frente às escolas”, disse.

Segundo ele, a maioria dos casos é de comunicações falsas. Mesmo assim, todas as denúncias são verificadas pelas Polícias Civil e Militar.

“É um assunto que tirou o sono da sociedade. Eu, como pai, sinto um desespero enorme em pensar como os pais estão reagindo. Essa é uma angústia da população como um todo”, disse o deputado Tiago Amaral.

O professor Anderfábio Oliveira dos Santos, diretor de Educação da Secretaria Estadual de Educação (Seed), disse que a participação dos pais e responsáveis é imprescindível neste momento. “Contamos com os pais para nos apoiar junto aos estudantes, verificando as redes sociais deles, os materiais escolares”, explicou.

O comandante do Comando de Policiamento Especializado da Polícia Militar, tenente-coronel Adilson da Silva apresentou o protocolo de atitudes que devem ser tomadas nas escolas em caso de ataque. Ele deixou claro que o propósito é tranquilizar os paranaenses: “A PM do Paraná, com suas unidades, trabalha juntamente com a Polícia Civil e todo o Governo do Estado. Estamos todos engajados para que as escolas, os alunos e os profissionais da educação estejam seguros”.

Problema profundo

O deputado Tiago Amaral, presidente da CCJ, destacou que é preciso tomar medidas emergenciais e também agir para prevenir novas ocorrências: “Nós sabemos que o problema é muito mais profundo do que a gente colocar grades e erguer muros nas escolas”.

Lidar com as preocupações das famílias tem sido o ponto mais difícil, segundo o professor Reinaldo Gonçalves, diretor do Colégio Estadual Doutor Lauro Portugal Tavares, de Rolândia: “A sociedade carece de informações objetivas. Então, o trabalho que foi feito hoje aqui e toda essa visão de segurança nos dá um norte, para que a gente leve isso para a comunidade escolar”.

Já a secretária de Educação de Sertanópolis, Graziela Fernanda Alves, acredita que é preciso ir além das medidas de curto prazo: “Nós precisamos também trabalhar com a questão de cuidar dos alunos. Cuidar da causa e não só do efeito. Então, com certeza, essa reunião foi fundamental”.

“A responsabilidade está em cada um de nós”

A educadora Márcia Yumi Kobayashi, que dirige uma escola particular de Londrina e atua há quase 40 anos na área, destacou o quanto é importante o apoio às famílias: “O problema está naquele aluno doente, que não tem os pais presentes, que cuidam, que dão limites. Não é a escola, o Poder Público e nem a Polícia que vai checar o que a criança está vendo no computador. A reflexão maior tem que ser sobre o que nós, enquanto pais, estamos fazendo pelos nossos filhos. Eu creio que a responsabilidade está em cada um de nós”.

A promotora Susana Lacerda, responsável em Londrina pelas Promotoria da Saúde e da Educação, apresentou um levantamento demonstrando que há poucos psiquiatras e psicólogos na rede pública especializados em atendimento a crianças e adolescentes. Para ela, “não adianta a identificação dos problemas na escola se a saúde não estiver pronta para receber essa demanda. É dever do Poder Público oferecer o que a família não pôde fazer”.

“A escola tem que ser reconhecida como um local de acolhimento. Para que a gente evite novas situações de ataques, é preciso dar atenção à saúde mental”, completou.

“É uma situação difícil e complexa. Os pais buscam respostas e os gestores têm que tomar decisões. Portanto, o que está em nossas mãos fazer agora, vamos fazer. É essa reação e é o plano de prevenção. E é fundamental o trabalho de inteligência feito pela Polícia Civil. Tenho certeza de que vamos conseguir nos aprofundar e ir além. O grande objetivo é que nossas famílias tenham tranquilidade para mandar suas crianças para a escola. E que elas possam estudar e construir o presente e o futuro com paz para todos”, completou o deputado londrinense, Tiago Amaral.

Redação Tem Londrina com Assessoria


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