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Vereadores aprovam em 2º turno PL que proíbe pessoas em situação de rua

Procuradoria Legislativa considerou o projeto de lei inconstitucional.

morador rua
Imagem: Reprodução

A Câmara Municipal de Londrina (CML) aprovou em segundo turno, nesta quinta-feira (18), o Projeto de Lei (PL) nº 72/2024, que proíbe pessoas em situação de rua de usar vias públicas para dormir, realizar atividades habituais, como preparo de alimentos, higiene e necessidades fisiológicas.

Segundo o projeto, pessoas identificadas nessas situações deverão ser encaminhadas ao Centro POP, serviço especializado no atendimento a pessoas em situação de rua. A lei não prevê multas nem especifica qual órgão público ficará responsável pela fiscalização.

A medida é de autoria da vereadora Jéssica Ramos Moreno, a Jessicão (PP).

Durante a tramitação, a proposta foi analisada por órgãos municipais. A Secretaria de Defesa Social apontou falhas como a falta de definição sobre os responsáveis pela fiscalização, ausência de sanções e indefinição quanto ao papel da Guarda Municipal (GM) de Londrina.

Imagem: Fernando Cremonez/CML

A Procuradoria Legislativa considerou o projeto inconstitucional, por violar liminar do Supremo Tribunal Federal (ADPF nº 976) que proíbe remoções compulsórias de pessoas em situação de rua. A Comissão de Justiça da Câmara, no entanto, discordou, entendendo que o PL não se enquadra em ações repressivas ou higienistas, já que prevê encaminhamentos assistenciais.

Já a Secretaria de Assistência Social, responsável pelas políticas de atendimento ao público atingido pelo projeto, se posicionou contra a medida, argumentando que os serviços já existentes — como o Centro POP e o Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) — seguem diretrizes federais e municipais. O Conselho Municipal de Assistência Social também se manifestou contra, ressaltando que a população em situação de rua vive vulnerabilidades complexas e que políticas públicas atuais já garantem o atendimento adequado, pautado nos direitos humanos.

Veja como votaram:

Imagem: Reprodução/CML

O projeto recebeu 12 votos favoráveis e 2 contrários. Apenas os vereadores Matheus Thum (PP) e Paula Vicente (PT) votaram contra. Não participaram da votação Giovani Mattos (PSD) e Roberto Fú (PL). Antônio Amaral (PSD) e Professora Flávia Cabral (PP) não votaram, e Santão (PL) está em licença.

“A ideia é que com esses três projetos [proibição de uso de espaços públicos, proibição de entrega de alimentos a moradores de rua e internação compulsória] a gente conseguisse diminuir o número de pessoas em situação de rua, incentivando essas pessoas a voltarem para as suas casas ou aceitarem ajuda em albergues, casas de repouso ou clínicas de reabilitação”, declarou a vereadora.

Agora, com a aprovação em segunda discussão, o projeto para sanção ou veto de Tiago Amaral (PSD). O Ministério Público (MP) deverá enviar uma recomendação de veto ao prefeito em razão da inconstitucionalidade.

Emendas rejeitadas

Durante a sessão, os vereadores rejeitaram duas emendas apresentadas por Paula Vicente (PT). A primeira previa que o encaminhamento ao Centro POP só poderia ocorrer com anuência expressa da pessoa, sem medidas coercitivas. A segunda excluía famílias com crianças e situações em que não houvesse vagas nos serviços de acolhimento, exigindo comprovação da disponibilidade antes de qualquer encaminhamento.

Foto: Reprodução/NCom

“Não podemos tratar as pessoas como objetos. Essas emendas eu trouxe para dar constitucionalidade a este projeto e garantir que o poder público se responsabilize e não apenas varra as pessoas de um lado para o outro”, afirmou Paula Vicente, lembrando ainda do fechamento da Casa do Bom Samaritano.

Críticas externas

Nas redes sociais, o projeto recebeu uma enxurrada de críticas pelo teor discriminatório e pela falta de aplicabilidade. Atualmente, por exemplo, o Centro POP, indicado no projeto, tem capacidade para atender no máximo 40 pessoas, além de não funcionar durante à noite.

Redação Tem Londrina


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