- Jornalismo
- 13 de novembro de 2019
Polícia investiga vídeo que mostra onças-pintadas mortas em caminhonete; assista
No vídeo três onças-pintadas mortas são exibidas pelo caçador como um troféu; “Eu fiquei assustado, heim. Tava tudo numa árvore só”

A Polícia Civil do Mato Grosso está investigando um vídeo no qual três onças pintadas aparecem mortas na caçamba de uma caminhonete.
Conforme as primeiras informações obtidas, o crime teria ocorrido nas proximidades do Rio das Mortes, em Cocalinho, a 765 km de Cuiabá. Mas os investigadores ainda não confirmaram a denúncia e também não sabem se as imagens são recentes.
Matar qualquer animal silvestre é crime ambiental com pena prevista de seis meses a três anos de prisão e multa.
No vídeo, gravado por uma mulher, três onças-pintadas mortas são exibidas pelo caçador com um troféu. Elas estão na carroceria de uma caminhonete junto com dois cachorros.
A mulher, responsável pela filmagem fala “Olha isso, três onças, o Carrapicho acabou de matar. Sozinho, ele os cachorros e Deus”. O caçador então mostra as presas e garras dos animais e conta que dois são filhotes enquanto uma das onças é a mãe. “Eu fiquei assustado, heim. Tava tudo numa árvore só”, ainda conta o homem.
Instituto Onça-Pintada compartilhou vídeo
O Instituto Onça-Pintada/Jaguar Conservation Fund compartilhou o vídeo das onças-pintadas mortas em sua página oficial no Facebook com a legenda: O conflito entre onças e seres humanos tem sido uma tragédia para nosso símbolo da biodiversidade. Veja:
https://www.facebook.com/JaguarFund/videos/632934733905919/Onça-pintada
Desde 2003, a onça-pintada é considerada um animal em extinção pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). De acordo com o Instituto Onça-Pintada, a amazônia é atualmente o maior refúgio da espécie.
Com peso entre 35 e 130 quilos, a onça-pintada é o maior felino do continente americano. Os machos são mais pesados do que as fêmeas e as onças-pintadas que vivem em florestas geralmente são menores do que as que habitam em áreas abertas como o Pantanal, no Brasil ou os Llanos, na Venezuela.
O uso de seu habitat para atividades agropecuárias é a principal causa da redução de 50% de sua distribuição original. Ela já foi extinta em dois países dos 21 países onde ocorria historicamente.
Ainda conforme o Instituto Onça-Pintada, a espécie de felino é legalmente protegida na maioria dos países que compreendem a sua distribuição – somente na Bolívia a caça ainda é permitida; e a espécie não tem nenhuma proteção legal no Equador e Guiana (Caso et al., 2008).
Redação Tem com RIC Mais