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‘Estamos no pior momento da pandemia’, diz secretário de saúde

Com nova cepa, população mais jovem também tem sido afetada.

Foto: Emerson Dias/Ncom

“A doença não é mais a mesma que começamos a enfrentar um ano atrás. Houve uma mudança no vírus e isso tem afetado um perfil diferente de pessoas”. A afirmação é do secretário municipal de saúde, Felippe Machado. Os dados comprovam a fala do secretário, em Londrina, assim como em todo Paraná, adultos e jovens têm sofrido com uma forma mais violenta da covid-19.

Machado confirma que a nova cepa tem se espalhado de forma mais ágil e deixado mais vítimas. Na cidade, apenas nos dez primeiros dias de março, foram registrados seis óbitos em pacientes na faixa de 30 anos de idade. O momento de colapso no sistema de saúde faz com que o cenário fique ainda pior. “Sem dúvida, estamos enfrentando o pior momento da pandemia. Além da nova variante, a falta de leitos nos hospitais, em um momento em que os pacientes estão ficando mais graves e precisam por mais tempo de UTI, aumenta as chances de perdas de vidas. Hoje [quinta-feira, 11], mais de 1.300 paranaenses estão na fila aguardando leitos”, comenta.

Outro fator preocupante tem sido a dificuldade de uma parte da população, em especial os jovens, cumprir as determinações de isolamento e distanciamento social. A realização de festas clandestinas e a abertura de bares mesmo em períodos de proibição por meio de decretos reforçam a prática de um comportamento “mais despreocupado” com a pandemia. “Uma ala da população permanece negacionista em relação a doença. Isso só nos atrapalha, tanto quanto o vírus”, afirma o secretário municipal.

O que resta é reforçar o apelo para tentar conscientizar a população da gravidade vivenciada neste momento. “O nosso apelo, cada vez mais, é para que as pessoas se protejam, fiquem em casa, evitem aglomerações, usem máscara, álcool em gel. Só a atitude preventiva pode nos ajudar neste momento”, intensifica Machado.

Mais letal

De acordo com o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, nas últimas semanas a Sesa tem identificado um grupo maior de jovens internados em estágio mais grave em todas as regiões do estado. “Encontramos um grupo até três vezes maior, de pessoas com 30, 40 anos, intubadas em UTI. Isso não tinha antes. A doença está se espalhando, devido à essa nova cepa”, afirma.

Segundo ele, a nova variante também é mais letal, já que um levantamento da Sesa aponta um aumento na mortalidade de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

“Nós tínhamos uma mortalidade daqueles pacientes que precisam de uma Unidade de Terapia Intensiva em torno de 20%. Se tinham 100 pessoas internadas em uma UTI, cerca de 20 ou 25 [pessoas] podiam perder a vida”, explicou Beto Preto.

Beto Preto ainda afirma que o Paraná deve passar por dias difíceis nas próximas semanas. “Teremos 21 dias muitos difíceis pela frente. Eu apelo, apelo para que as pessoas passem a pensar nos dias que vem pela frente. Se cuidar, usar máscara, alertar, principalmente, os mais jovens”, disse Beto Preto.

Fiama Heloisa - Redação Tem


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