- Jornalismo
- 21 de março de 2022
Preço do pão deve continuar aumentando nos próximos dias

A guerra na Ucrânia escancarou a dependência do Brasil de trigo importado. Na última quarta-feira (16), o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Maximo Torero, disse que a segurança alimentar mundial está sob forte pressão em função do conflito na Ucrânia.
De acordo com ele, o aumento no preço dos alimentos deve ser sentido principalmente nos países mais vulneráveis. Rússia e Ucrânia respondem juntos por cerca de 30% da produção mundial de trigo. O preço desse bem essencial fechou o mês de fevereiro com alta acumulada de 22%. Em março, os preços já se elevaram em 15,2%, atingindo níveis recordes.
Os efeitos deste aumento já são sentidos no Brasil. O pão francês está sendo vendido a até R$ 20 o quilo no Rio de Janeiro. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria, o pão francês deve subir entre 10% e 20% nas principais capitais brasileiras.
De acordo com Nilson de Paula, professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da coordenação executiva da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), o pão tem um valor simbólico. Segundo ele, o aumento dos preços é anterior à crise no leste europeu: “O conflito só colocou água no moinho da inflação”.
A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) disse que o consumidor deve se preparar para aumentos no preço de produtos como massas, bolos e biscoitos. “Haverá reajustes de preços nas próximas semanas, mas com o horizonte indefinido. O consumidor brasileiro deve começar a sentir os efeitos em breve”, alertou a entidade em nota.
O Brasil produz menos da metade do trigo que demanda e recorre à importação para abastecer seu mercado. Compras de países como Rússia e Ucrânia são pequenas, quando comparadas às importações de trigo da Argentina, Canadá e EUA. O governo do principal fornecedor brasileiro, a Argentina, declarou no dia 3 de março que vai limitar as exportações de trigo e adotar mecanismos de controle dos preços domésticos para evitar uma disparada da inflação.
“Os agentes econômicos vão se readaptando e redefinindo suas expectativas. E quem ganha com isso são aqueles que têm munição para se defender e controlam os preços”, disse o pesquisador.
Redação Tem com Sputnik Brasil