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Geração Z é maioria nos pedidos de demissão em Londrina; entenda

Metade das demissões voluntárias no Brasil em 2024 foi feita por jovens de 18 a 29 anos, que não aceitam condições de trabalho precarizadas.

Imagem: Pixabay

A busca da Geração Z — nascidos entre 1996 e 2010 — por empregos mais flexíveis, alinhados com propósitos de vida e ambientes de trabalho menos tóxicos já é uma realidade em Londrina. Dados do Novo Caged mostram que, em 2024, foram registrados 47.481 desligamentos na faixa dos 18 aos 29 anos.

Embora o painel do Caged não especifique o tipo de desligamento, a projeção feita pela reportagem – baseada na média nacional – indica que 23.740 desses casos ocorreram por iniciativa dos próprios trabalhadores.

Para a psicóloga e gestora de Recursos Humanos Fernanda Ferreira, isso tem acontecido cada vez mais porque a motivação da Geração Z é diferente das gerações anteriores.

Imagem: Emerson Dias/NCom

“Antes, as pessoas eram acostumadas a chegar para trabalhar, senta, é aqui, é isso que você tem que fazer… Hoje, as coisas precisam fazer muito mais sentido para as pessoas, para elas entenderem se aquilo está alinhado com o que elas estão buscando”, expõe.

Segundo um estudo global feito pelo Workmonitor, dois em cada quatro profissionais da Geração Z preferem ficar desempregados a permanecerem em um emprego que não gostam. A estudante de pedagogia Késia Silva (24) faz parte desse grupo. Ela conta que já fez parte de um ambiente profissional hostil e optou pelo desligamento.

“O que me faz sair de um emprego é a cobrança extrema, com um salário muito baixo e um ambiente ruim, onde não existe comunicação. No meu último emprego, eu fazia muitas tarefas e não era reconhecida. Isso desestimula muito. É claro que todo mundo precisa de um trabalho para sobreviver, mas eu preciso gostar do ambiente onde eu estou. Além de gostar do que eu faço, é claro. Isso me faria ficar até 20 anos no mesmo trabalho”, relembra.

Saúde mental

Para além do alinhamento entre empresa e funcionário, a Geração Z trouxe à luz um problema deixado de lado pelas gerações anteriores: a saúde mental. Só em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

Imagem: Freepik

Ferreira explica que proporcionar um ambiente de trabalho saudável é imprescindível para todas as gerações, e deve ser prioridade das lideranças. “Por mais que algumas pessoas falam: ‘Ah, na minha época não era assim, não tinha essa preocupação…’ Eu enxergo que isso é de extrema relevância para todas as gerações. Então, essa é a forma que eu busco atuar como RH hoje. De fato me preocupando, tendo um alinhamento com o colaborador se eu estou vendo que a pessoa não está em um dia bom.”

Vida para além do trabalho

Apesar da discussão sobre gerações e suas características estarem em alta nos últimos anos, o conceito original vem do sociólogo Karl Mannheim na primeira metade do século XX. Ele caracterizava as gerações pelo tempo cronológico e pela possibilidade de presenciar e vivenciar acontecimentos similares.

Segundo a definição do sociólogo, uma das características da geração nativa digital é a qualidade de vida. Para Ferreira, esse é um dos principais pontos a serem destacados e admirados. Ela esclarece que as gerações anteriores se preocupavam muito mais com o financeiro, então acabavam ficando em ambientes ruins, que não faziam tanto sentido para a vida pessoal.

“Uma coisa que eu admiro muito na Geração Z é que as pessoas trabalham por propósito mesmo. Se aquilo não faz sentido para elas, se não está agregando valor, elas fazem as escolhas delas. Dos Millennials para trás, eles não tinham esse senso de autocuidado”, considera.

É isso o que a estudante do ensino médio Vitória Higuti (16), busca para o seu segundo emprego. “Eu senti a necessidade de buscar um emprego porque eu queria conseguir o meu próprio dinheiro sem dar tanto custo para os meus pais e porque eu queria começar a ter experiências de trabalho. Eu acho que eu busco um ambiente que seja bom, mas que também tenha um bom salário”, explica.

Mercado de trabalho mudou

Para Fernandes, a Geração Z já conquistou a mudança que queria, e quem precisa se adaptar são as gerações anteriores.

“O tempo mudou, a vida mudou. A forma de enxergar as coisas mudou. A pandemia trouxe muita mudança e isso vai muito ao encontro do que a Geração Z espera, procura e que conquista cada dia mais”, destaca.

Beatriz Bandolin


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