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Bolsonaro vai ao STF para impedir restrições contra covid no Paraná

Presidente quer impedir realização do toque de recolher e fiscalização contra aglomerações. Paraná tem mil pacientes à espera de UTI e 25.819 mortos.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (27) pedindo a interrupção de medidas restritivas contra o avanço do coronavírus no Paraná, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Trata-se de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) representada pela Advocacia-Geral da União (AGU), de André Mendonça, e assinada pelo presidente da república.

A AGU diz não contestar decisões anteriores do STF e afirma reconhecer medidas restritivas impostas por representantes de estados e municípios, mas alega que “algumas dessas medidas não se compatibilizam com preceitos constitucionais inafastáveis”.

Aliados no cenário nacional, Bolsonaro tenta impedir medidas de restrição determinadas pelo governador contra o avanço da covid no Paraná – Imagem: Carolina Antunes/PR

“[A ação] considera que algumas dessas medidas não se compatibilizam com preceitos constitucionais inafastáveis, como a necessidade de supervisão parlamentar, a impossibilidade de supressão de outros direitos fundamentais igualmente protegidos pela Constituição e a demonstração concreta e motivada de que tais medidas atendem ao princípio da proporcionalidade”, afirma a nota.

Medidas restritivas

O Paraná passa adotar, a partir desta sexta-feira (28), um toque de recolher mais amplo das 20h às 5h. Supermercados e shoppings também passarão a atender até às 20h, além da intensificação de forças de segurança na fiscalização contra aglomerações, festas clandestinas e circulação de pessoas nos horários de restrição.

As mudanças levam em consideração um cenário cada vez mais delicado da pandemia no Estado. A lotação de leitos de UTI está acima de 90% desde o começo do ano, mais de mil pacientes aguardando internação em leito covid-19 (UTI e clínico). O secretário de Saúde, Beto Preto, já informou que há mais como abrir novos leitos já que não existem profissionais de saúde para serem contratos e que possam atender a alta demanda.

Avanço da covid-19 preocupa autoridades de saúde do Paraná – Foto: Reprodução/AEN

Atualmente, os pacientes com necessidades de UTIs estão em unidades básicas ou de pronto atendimento. Há, ainda, uso intensivo do chamado kit intubação, gerando quedas nos estoques do estado.

A taxa de transmissão do Paraná é a pior do Brasil, segundo o portal Loft.Science, utilizada por pesquisadores da área. É de 1,14 nesse momento, enquanto a média nacional é de 1,03. O indicador acima de 1 significa transmissão acelerada da doença.

Nesta quinta-feira (27) a Secretaria de Saúde (SESA) confirmou mais 5.677 casos e 194 mortes pela covid-19 no estado. Os dados acumulados mostram que o Paraná já soma 1.073.391 casos e 25.819 óbitos.

Redação Tem


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