- Jornalismo
- 4 de junho de 2020
Brasil passa a Itália e atinge 34.021 mortes por covid-19
Brasil bateu recorde de mortes diárias com 1.473 mortes.

O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (04), em boletim diário da pandemia do coronavírus no Brasil, que o país teve 1.473 mortes confirmadas em 24 horas e chegou a 34.021 no total. Os dados apontam, pelo terceiro dia consecutivo, o maior número contabilizado no período. O índice supera a alta de quarta, quando foram registrados 1.349 óbitos.
Com os registros mais recentes, o país ultrapassou a Itália em número de óbitos e agora está atrás apenas do Reino Unido (39.987) e dos Estados Unidos (107.474), segundo ranking da Universidade John Hopkins.
Outro número importante é o de novos diagnósticos entre ontem e hoje: 30.925. O número é o segundo maior no período de 24 horas já contabilizado, perdendo apenas para o dia 30 de maior, quando o governo anunciou 33.274. No total, o país tem 614.941 casos em todo o seu território.
O número de pessoas recuperadas da doença também sobe a cada dia e já chega a 254.963 o equivalente a 41,5% dos pacientes. Ainda segundo a pasta, mais de 325 mil casos seguem em acompanhamento.
O secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, informou que algumas regiões brasileiras apresentam quedas no número de casos nas últimas semanas, mas reiterou hoje, em coletiva de imprensa, que ainda é necessário observar por mais tempo para não fazer conclusões precipitadas.
“Me preocupo muito com os estados do sul, porque estão entrando no período de outras doenças respiratórias, como influenza. E agora com a presença da covid-19 em uma população suscetível, mostra que as autoridades sanitárias precisam prestar mais atenção”, disse.
Dificuldade em precisar números reais de casos e mortes
Os técnicos do Ministério da Saúde afirmaram hoje, em entrevista coletiva, que é “muito difícil precisar” os números reais de contágio do novo coronavírus.
Eduardo Macário defendeu o trabalho realizado pela pasta para tentar reduzir a subnotificação e deu a entender que muitos resultados de testes podem não ter sido devidamente registrados por profissionais de saúde.
“Existem vários estudos. Tem um recente da Universidade de Pelotas, mas é muito difícil precisar em relação a isso. A gente tem trabalhado para reduzir a subnotificação. Ampliando a capacidade de testagem, dos sistemas de informação, orientando todas as equipes de vigilância e as equipes hospitalares sobre a importância do registro. Não adianta [só] fazer o exame, tem de fazer o exame e registrar no sistema oficial”, justificou Eduardo.
Crescimento de quase 9 vezes o número de municípios afetados
O Ministério da Saúde informou hoje, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, que o número de municípios com casos de coronavírus aumentou quase nove vezes nos últimos dois meses.
No dia 2 de abril, segundo a pasta, 471 cidades brasileiras apresentavam casos da doença. Já no dia 2 de junho, este número chegou a 4.178.
As informações foram apresentadas por Eduardo Macário, secretário substituto de Vigilância em Saúde, que reiterou que a maioria das cidades apresentada menos de 100 casos.
“75% dos municípios já reportaram casos, principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil”, analisou Macário. “A maioria dos municípios tem menos de 10 óbitos registrados, dos quais 766 reportaram apenas uma morte pela doença até o momento”.
Entenda como é feita a contagem da Saúde
A confirmação de óbitos e diagnósticos apresentada pelo governo entre um dia e outro não necessariamente ocorreu nas últimas 24 horas. O Ministério da Saúde explica que a fila de testes provoca atrasos nos registros feitos pelas secretarias.
Com isso, muitas das ocorrências podem ser de outras datas. Já foram identificados atrasos de mais de 50 dias para a oficialização de mortes.
8 mil testes por dia em SP, diz governo
O governo de São Paulo disse hoje que tem realizado cerca de oito mil testes de covid-19 por dia. Segundo dados anunciados hoje pelo Comitê de Contingência no combate ao coronavírus, o número em abril era de mil exames diários.
De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, São Paulo vai chegar aos níveis de testagem de grandes países europeus, como Espanha e Itália em até três meses. Além disso, o governo também anunciou a distribuição de mais 30 mil swabs de testes para os municípios.
Professor da USP prevê sobrecarga do sistema de saúde
O professor e epidemiologista da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Lotufo disse que o afrouxamento das medidas de isolamento social para reabrir a economia vai sobrecarregar o sistema de saúde e, ainda, impactar ainda mais as comunidades das periferias.
“À medida que há aumento de casos, sobrecarregam-se mais ainda os leitos de hospitais, e quem não estava sendo atendido continua sem atendimento. Vamos ter um reflexo muito duro”, avaliou o professor em entrevista publicada hoje pelo jornal O Globo.
Lotufo criticou os governadores dos estados que estão fazendo um movimento de reabertura, mesmo com restrições e medidas de higiene. O professor citou que os outros países fizeram isso quando o número de casos oficiais e mortes pelo coronavírus estavam reduzindo — enquanto o Brasil vive uma aceleração nos números.
Redação Tem com Folhapress