- Jornalismo
- 28 de março de 2021
Cidade líder em cloroquina vê taxa de mortes por covid-19 disparar
Número é 46% maior do que a taxa brasileira de mortes.

Entre as capitais brasileiras, Vitória, no Espírito Santo, foi a que recebeu a maior quantidade de cloroquina do governo federal, proporcionalmente à população. Foram 54 mil comprimidos de difosfato de cloroquina, quantidade que seria suficiente para medicar 15% dos habitantes da cidade ao menos uma vez. O dado considera apenas as entregas feitas pelo Ministério da Saúde às capitais, sem levar em conta repasses e compras que possam ter sido feitos pelos governos estaduais e municipais.
Em julho do ano passado, a prefeitura de Vitória — como tantas outras, estimuladas pelo governo federal — adotou o uso de cloroquina e ivermectina no tratamento à covid. Os remédios não têm eficácia comprovada contra a doença.

Até quinta-feira (25), a cidade acumulava uma taxa de 209 mortes por covid-19 a cada 100 mil habitantes. O indicador é 46% maior do que a taxa brasileira, que, na mesma data, chegou a 143 mortes por 100 mil habitantes.
Protocolo sem eficácia
A cloroquina é um medicamento utilizado para o tratamento da malária, mas virou uma bandeira política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Desde o início da pandemia, o chefe do Palácio do Planalto defende, sem qualquer embasamento científico, o uso do remédio contra a covid-19.
Na gestão do general do Exército Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde chegou a mudar o protocolo para permitir a prescrição da cloroquina, mesmo com a recomendação de diversas autoridades na área, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para não utilizar o medicamento.
Os antecessores de Pazuello, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, recusaram-se a fazer o mesmo.
Redação Tem com Gazeta ES