- Redação
- 11 de novembro de 2021
Londrina: atual taxa de transmissão da covid é a menor de toda a pandemia
Pesquisadora Mariana Ragassi Urbano, da área de estatística da UEL, divulgou os dados em entrevista ao TEM.

Com o avanço da vacinação contra a covid-19, uma melhora em todos os dados referentes a pandemia de coronavírus tem sido observada pelo país e em Londrina não é diferente. Os boletins semanais publicados pelo projeto BRData, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), comprovam que o cenário atual é o mais tranquilo desde o início das observações e análises em 2020. “Estamos em um período de quedas de todos os índices. Até agora, não havia tido um momento de tantas quedas seguidas, a diminuição nos números é uma constantes que se mantém desde meados de setembro”, comenta a professora do departamento de estatística da UEL e uma das coordenadoras do projeto, Mariana Ragassi Urbano, entrevista ao TEM.
Um dos dados que comprovam um cenário de menores riscos da pandemia em Londrina é o chamado “índice de transmissão”, o qual – como o próprio nome sugere – indica como está o nível de circulação do vírus na cidade, se ele está sendo transmitido muito ou pouco. “Neste momento, o índice de transmissão é o menor de todo o período da pandemia, ele está em 0,77, indicando que, realmente, a pandemia está desacelerando na cidade de Londrina”, explica Mariana.
Realidade que pode ser observada também nas cidades da região, já que em toda 17ª Regional de Saúde — a qual abrange Londrina e mais 20 municípios da macrorregião norte — o índice de transmissão está baixo, ficando em 0,86. Nas cidades da 16ª Regional de Saúde, o valor é de 0,91, também indicando redução.
A professora lembra ainda que menos pessoas contaminadas significa, diretamente, menos mortes. Assim, esse é outro dado da covid-19 em queda. A média móvel de óbitos em Londrina, até o dia 8 de outubro, é de 2,28. Uma das mais baixas de todo o período pandêmico. Seguindo esse sistema interligado, o número de internações também caiu, informação que pode ser comprovada também pelos boletins diários divulgados pelo Hospital Universitário (HU). “Em relação a ocupação de UTIs e enfermarias, hoje, está em cerca de 30%, considerando os pacientes só de Londrina. Comparando com o mês de junho, por exemplo, que chegamos a ter 157% de lotação, é um número muito baixo, cinco vezes menor”, diz Mariana.
A importância da vacinação
Frente a esse cenário, que já começa a ser mais animador, os pesquisadores creditam as melhoras ao avanço da vacinação contra a covid-19.
Para quem se imunizou, os riscos de evoluir para casos graves caso contaminado são mínimos. Do total de 332.393 londrinenses vacinados até outubro, de acordo com o BR Data, 310 morreram, o que representa 0,093%. Ainda, das pessoas com esquema vacinal completo, 4.961 tiveram casos confirmados de covid-19, o que significa apenas 1,49% do total. Sendo assim, de todas as pessoas vacinadas, 98,51% não pegaram a doença.
Já no grupo das pessoas que vieram a óbito sem vacinação, o número total é de 1.826, o que representaria 79,98% das mortes registradas até a última segunda-feira. “Vale ressaltar que no caso dos óbitos somam-se todas as mortes ocorridas desde o início da pandemia, assim existem mortes de um período em que não tínhamos vacina disponível, que é do ano passado”, explica Mariana.
Fim da pandemia?
Com números tão mais otimistas depois de períodos tão difíceis, a pergunta sobre um possível fim da pandemia, pelo menos estatisticamente, é inevitável. Porém, a professora analisa que ainda é difícil dizer quando a pandemia vai acabar. “A gente não sabe se a covid, como espalhou por todos os lugares, vai chegar a acabar. É difícil avaliar o comportamento da doença, por isso não tem como afirmar se em um momento vai chegar a zerar. A gente acredita mais que ela se tornará uma doença como a gripe, com a qual passaremos a conviver de uma maneira mais controlada, sem explosão de casos, sufoco no sistema de saúde, casos graves”, comenta.
Fiama Heloisa - Redação TEM