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Londrina completa 1 ano de pandemia: quantas mortes ainda podemos evitar?

Números apontam para a maior tragédia da história de Londrina.

Imagem: Reprodução

No dia 17 de março de 2020, o município de Londrina registrava o primeiro caso oficial de coronavírus. Tratava-se de uma mulher, de 52 anos. Hoje, um ano após primeiro caso confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde, já são 41.834 diagnósticos positivos e 817 vítimas fatais.

Com este número de mortes, a cidade já registra a pior tragédia de sua história. Para se ter uma noção, o número de londrinenses mortos na pandemia já é 14 vezes maior que a média de homicídios registrada no município durante um ano, ou então, 11 vezes maior que a quantidade de vítimas fatais no trânsito londrinense em 2019.

Em 16 dias, março já atingiu 120 vítimas fatais – Imagem: Arte/TEM

No dia em que completa um ano, a pandemia toma rumos ainda mais dramáticos na cidade, no estado e no país. A nova cepa encontrada em Manaus, chamada ‘cepa brasileira’ ou P1 — fruto do descaso do Governo Federal com a crise e da falta de cuidados de prevenção, por parte da população — e a superlotação de leitos em todos os hospitais do município e da região, deixa ainda mais evidente a transmissão descontrolada do vírus. Pacientes já morrem à espera de leitos e profissionais de saúde exaustos tentam “enxugar gelo” nas unidades hospitalares.

De acordo com o infectologista Francisco Sanchez, as únicas formas frear a proliferação do vírus e evitar ainda mais mortes, estão resumidas em quatro palavras: isolamento, máscara, higienização e vacinação. “Chegamos num ponto onde tudo está fora de controle. Infelizmente, precisamos urgentemente de um isolamento rigoroso, ou então, como chamam, um lockdown. Mas precisa ser um isolamento de fato, real, sem circulação de pessoas, para evitar a circulação do vírus. Isso é urgente, as autoridades não podem esperar mais”, diz o especialista. “Sem vacinação em massa, não temos outras armas, apenas, isolamento, ou distanciamento, máscaras, as pessoas não podem tirar as máscaras, precisam mantê-las, o tempo todo, além de manter também a higienização das mãos. É claro que, neste momento, somente a vacina vai nos tirar deste cenário sombrio, terrível, mas como nossos governantes não fizeram o dever de casa, de comprá-las no tempo certo, hoje, infelizmente, é o que temos. Isolamento, máscaras e higienização”, explica. “Faz um ano que estamos falando sobre essas medidas, vocês [da imprensa] falam, todos falam, se a pessoa ainda não compreendeu, as autoridades precisam intervir com medidas mais enérgicas”, opina o especialista.

“Olha, sem isso não vamos frear o vírus. Estamos próximos de viver o caos, aliás, já estamos vivendo o caos, mas estamos próximos de algo muito pior”, alerta.

Negacionismo

Para ele, o negacionismo de parte da sociedade brasileira também atrapalhou e continua sendo um obstáculo no combate ao coronvírus. “Essa negação da pandemia, em grande escala, digamos, só acontece no Brasil. Essa contrariedade em seguir regras básicas de transmissão do vírus, só vemos aqui. Isso tudo atrapalha muito, digo mais, isso mata. Quanto mais pessoas negando um fato evidente, seja por acreditar em político, em notícias falsas ou simplesmente por ser do contra, está matando pessoas inocentes. As falsas ideias que propagam, estão matando pessoas reais”, completa o infectologista.

Hospitais de Londrina vivem superlotação – Imagem: Reprodução/HU-UEL

Na semana passada, o secretário de Saúde de Londrina, Felippe Machado, já alertava sobre os problemas que os grupos negacionistas causam no enfrentamento à doença. “Uma ala da população permanece negacionista em relação a doença. Isso só nos atrapalha, tanto quanto o vírus”, afirmou o secretário municipal.

Doença mudou

“A doença não é mais a mesma que começamos a enfrentar um ano atrás. Houve uma mudança no vírus e isso tem afetado um perfil diferente de pessoas”, afirmou o secretário municipal de saúde. Dados dos primeiros meses de março comprovam a fala do secretário, em Londrina, assim como em todo Paraná, adultos e jovens têm sofrido com uma forma mais violenta da covid-19.

Imagem: Reprodução

Ainda, segundo o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, nas últimas semanas a Sesa tem identificado um grupo maior de jovens internados em estágio mais grave em todas as regiões do estado. “Encontramos um grupo até três vezes maior, de pessoas com 30, 40 anos, intubadas em UTI. Isso não tinha antes. A doença está se espalhando, devido à essa nova cepa”, afirma.

Mais letal

Agora, um ano depois do primeiro contágio, a nova cepa brasileira, deixou a pandemia ainda mais preocupante, tanto pela maior transmissibilidade, quanto pela mais alta taxa de letalidade.

Segundo o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, a nova variante se mostra mais letal, já que um levantamento da Sesa aponta um aumento na mortalidade de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “Nós tínhamos uma mortalidade daqueles pacientes que precisam de uma Unidade de Terapia Intensiva em torno de 20%. Se tinham 100 pessoas internadas em uma UTI, cerca de 20 ou 25 [pessoas] podiam perder a vida”, explicou Beto Preto.

Dos óbitos confirmados em Londrina, em um ano, 675 são de vítimas que tinham mais de 60 anos. Outros 118 tinham entre 40 e 59 anos. Além de 24 vítimas, que estavam na faixa de 20 a 39 anos.

Redação Tem


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