- Redação
- 25 de outubro de 2021
Londrina projeta controle da pandemia com avanço da vacinação
Segundo pesquisadora do Projeto Safety, da UEL, Marselle de Carvalho, aumento na taxa de vacinados é essencial para frear pandemia.

Na semana em que Londrina superou a marca de mais de 50% da população totalmente imunizada, o questionamento que surge é se, enfim, começaremos a sentir um efeito maior do avanço da vacinação no número de óbitos por covid-19 na cidade. Os especialistas apontam que quanto mais gente vacinada, menor a circulação do vírus. Como consequência, menos gente contaminada, menos chances de casos graves da doença que possam evoluir a óbito.
Nos últimos dias, a cidade vinha sendo assombrada com altos números de mortes mesmo com o avanço da liberação da vacina para mais faixas etárias. Um levantamento do TEM apontou que na primeira quinzena deste mês, Londrina registrou 74 mortes por covid-19 contra oito, no mesmo período, na cidade de Maringá. Quando comparada com outras cidades de quantidade populacional semelhante, tanto no estado quanto no país, os dados continuavam discrepantes, como é possível observar no gráfico abaixo.
A pesquisadora Marselle Nobre de Carvalho, chefe do Departamento de Saúde Coletiva da UEL e integrante do projeto Safety, fez uma análise comparativa entre os dados de Londrina e Maringá. Um dos dados que coloca Maringá a frente é o de cobertura vacinal, que, na segunda-feira (18), era de 61,3% contra os recém 53% de Londrina. A expectativa é que com a recente marca de mais da metade da população londrinense totalmente imunizada, aqui também se comece a sentir os efeitos da vacinação e haja uma diminuição de óbitos.

“Com certeza uma tese forte é de que esses óbitos estejam relacionados a menor taxa de vacinação na nossa cidade em relação a Maringá. Pode ser que como eles [Maringá] sentiram uma taxa de cobertura vacinal acima dos 50% antes da nossa, isso já esteja gerando um efeito, mas seria preciso um acompanhamento específico da cidade. Talvez o ponto de corte seja os 50% de vacinação”, diz Marselle.
Outros fatores
A pesquisadora lembra ainda que, apesar do fator vacinação ser importante, ele não é o único que deve ser considerado, pois existem outros que também influenciam no cenário epidemiológico.
Segundo ela, apesar dos números absolutos indicarem uma diferença grande entre Londrina e Maringá, quando os dados são analisados de forma estatística, a diferença não é tão grande assim. Ela explica que é preciso considerar um período de tempo maior do que apenas 15 dias, por isso a melhor comparação é entre o número de casos e o de óbitos acumulados por 100 mil habitantes.

As demais medidas que impactam no cenário epidemiológico, lembradas pela pesquisadora, podem estar relacionadas ao cumprimento das medidas de prevenção a contaminação do coronavírus, como uso de máscara, distanciamento social. “Como estão os cumprimentos das medidas não-farmacológicas nessas outras cidades? A gente ainda enfrenta dificuldades no cumprimento dessas medidas aqui [em Londrina], com o tempo de pandemia houve muito relaxamento, o que acaba sendo um comportamento natural, mas tem consequências. Não estou querendo dizer que Maringá está cumprindo as medidas melhor do que aqui, mas com certeza o cumprimento ou não dessas medidas tem impacto”, pondera Marselle.
Além disso, a forma de mobilidade nas cidades e até mesmo o fluxo de pessoas em cada uma delas, movimentação de aeroportos, rodoviárias, interfere diretamente na taxa de contaminação aumentando as chances de evoluções graves da doença. Tem ainda os fatores assistenciais como acesso a leitos, a internação, a medicamentos.
Óbitos x Vacinação
Um levantamento divulgado na sexta-feira (22), aponta que a vacinação completa contra o novo coronavírus pode ter dado o primeiro passo na luta para se controlar a pandemia em Londrina. Segundo os dados, apresentados pela Prefeitura, até 30 de setembro deste ano, de todos os 256.225 londrinenses completamente imunizados, apenas 1,68% contraíram a covid-19, sendo que 0,09% vieram a óbito, índice que representa 244 mortes. O estudo, no entanto, ainda deverá incluir o mês de outubro na estatística.

Ao todo, no período estudado, a cidade registrou 2.146 mortes — atualmente, este número é de 2.242. Parte dos londrinenses começaram a completar o ciclo vacinal, ou seja, com duas doses ou dose única, apenas em meados de março deste ano, contemplando inicialmente idosos e profissionais de saúde. Pessoas com comorbidades e outros grupos prioritários só iniciam a vacinação em maio de 2021.
Em meio a tantos pontos, o estudo ajudou, inicialmente, a entender o questionamento de toda a população: se as pessoas que vieram a óbito estavam com o sistema de imunização completo. Segundo Marselle, ter acesso a esses dados são de extrema importância para acompanhar a situação da pandemia na cidade. “Eles são uma evidência mais forte para entendermos o que acontece em Londrina”, finaliza a pesquisadora.
Fiama Heloisa - Redação TEM