- Jornalismo
- 10 de janeiro de 2021
Mesmo com hospitais cheios, Londrina vive cenário de aglomerações
Pessoas também estão deixando de usar máscaras, o que é 'preocupante', afirma especialista.

O último boletim epidemiológico do coronavírus em Londrina, aponta para ocupação de 82% nos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) exclusivas para pacientes com a doença. Na última semana, a cidade registrou recorde de novos casos confirmados e recorde de óbitos.
Há dez dias, três dos principais hospitais de Londrina, informaram que atingiram lotação máxima em leitos para pacientes com coronavírus e também de outras enfermidades. De acordo com o boletim de transparência da Secretaria de Estado de Saúde (SESA) divulgado neste sábado (09), o Hospital Universitário (HU), unidade de referência para o enfrentamento da covid-19 na região, possui apenas mais cinco vagas para pacientes com a doença.
Segundo os dados, o Hospital Evangélico possui apenas mais uma vaga de UTI adulto geral, das 15 disponíveis.
A Prefeitura de Londrina, chegou a reativar, no dia 23 de dezembro, trinta novos leitos no Hospital do Coração.
Em meio a um momento de alerta, pós-festas de fim de ano, é possível identificar em todas as partes são diversas aglomerações, tanto em ônibus, supermercados, onde a maioria dos trabalhadores não têm outra opção e o poder público tem dado pouca atenção, como até festas clandestinas, reuniões familiares, jogos de futebol, bares lotados, até mesmo superlotação em espaços como parques, lagos e áreas de lazer, que infringem decretos municipais e estaduais.

A Guarda Municipal (GM) divulgou um balanço preocupante sobre o quadro de fiscalizações na cidade. Em menos de 10 meses foram mais de 10 mil denúncias de descumprimento aos decretos, entre aglomerações e estabelecimentos com funcionamento inapropriado. Destas, 2 mil terminaram em autuações.
Desde março, até a semana passada, a Central 153 já havia recebido mais de 10 mil denúncias, das quais, mais de 2 mil terminaram em termos de constatação ou autuações.
Preocupação
Esse cenário sinaliza preocupação. De acordo com a Dra. Beatriz Tamura, presidente da Associação Médica de Londrina (AML), a população está cansada e, por isso, acaba deixando de seguir os métodos de prevenção, mas ela ressalta que a sociedade deve continuar mantendo o respeito às medidas preventivas, para que os casos não aumentem.

“A população está cansada, baixando a guarda, no momento em que falta pouco para a vacinação. É lamentável, ver familiares que por um longo tempo estiveram se cuidando e por esse relaxamento [da sociedade], venham se contaminar e perder a vida”, diz a médica.
“O aumento do número de casos é um reflexo do comportamento da população, visto que hoje a presença da circulação viral na comunidade é intensa”, complementa Tamura.
Para ela, a alta de contaminados também gera, consequentemente, um aumento proporcional de casos graves da infecção. Segundo a com repercussão direta nas taxas de ocupação dos leitos de Terapia Intensiva (UTI).
Conscientização
De acordo com o infectologista Francisco Sanchez, este é um período que vai precisar de conscientização da população, para que em janeiro, os casos de coronavírus são explodam. “Este fim de ano vai nos exigir muita responsabilidade. Se a população não tiver a conscientização de que o cenário é de alerta, teremos complicações graves em janeiro”, explica.

“Vale reforçar o uso das máscaras de proteção. Muitas pessoas estão deixando de usá-las. Não pode. Isso também é um grave problema, pois enquanto a vacina não chega, as medidas restritivas precisam ser rigorosamente respeitadas”, completou.
Restrições
Para o infectologista, o poder público precisa assumir a responsabilidade neste momento e restringir a circulação das pessoas, que tem gerado, consequentemente, a circulação do vírus. “Não havendo conscientização, o poder público, a prefeitura, as secretarias de saúde precisam trazer para si a responsabilidade. Enquanto a vacina não chega, é necessário restringir ao máximo a circulação das pessoas”, explica.
“Diminuir as aglomerações neste momento, é salvar vidas”, completa.
Redação Tem