- Jornalismo
- 9 de dezembro de 2021
Passaporte vacinal evitaria avanço da ômicron em Londrina, diz médico
Exigência da vacina garante a segurança coletiva; especialista ainda defende que não é o momento para aglomerações.

Há quase dois anos enfrentando a pandemia de covid-19, o Brasil, assim como Londrina, vem passando por uma melhora nos índices de contaminação, transmissão e óbitos pela doença. Um reflexo nítido da vacinação em massa, que já garantiu a imunização completa de 64% da população brasileira. Em Londrina, a quantidade de pessoas que tomaram as duas doses da vacina ou a dose única soma 69%.
Porém, a descoberta recente da variante ômicron — que foi classificada como uma “variante de preocupação” pela Organização Mundial de Saúde (OMS) — fez com que o sinal de alerta voltasse a soar. Para o médico sanitarista e professor do curso de medicina da PUC Londrina, Gilberto Martin, como ainda não estão evidentes os impactos dessa nova variante em relação a saúde coletiva, o cenário é de cuidado neste momento.
“É preciso manter todos os cuidados que até então vinham sendo recomendados com atenção redrobada. Fundamentalmente, o uso de máscara e álcool em gel, evitar aglomerações, tudo isso que já vinha sendo feito. Ainda não é hora de descuidar, muito pelo contrário”, comenta Martin.
Festas de fim de ano
Nesse momento, com a volta de eventos com público, possibilidade de festas de natal e ano novo e, até mesmo, de carnaval, a preocupação é como essas aglomerações podem impactar negativamente no cenário da pandemia. “Como os riscos dessa variante ainda não foram confirmados, o mais indicado é mantermos as restrições. Como os governos estão mais permissivos, é preciso reforçar cuidados do ponto de vista pessoal também. Temos responsabilidades individuais. Eu, por exemplo, adoro futebol, mas ainda não fui ao estádio, não acho que seja o momento. É preciso ter cuidado em relação a essas atividades”, diz o médico.
Passaporte vacinal
O especialista reforça a importância, já apontada pela ciência, da vacinação completa. Martin explica que a exigência do cumprimento dessa medida é uma forma de garantir a segurança coletiva e evitar o surgimento de novas variantes da doença. Além do mais, ele relembra que a obrigatoriedade da vacinação é algo tradicional, que não deveria causar polêmica. “[O passaporte vacinal] é uma medida importante. Na verdade, sempre houve. Você consegue viajar para alguma região do país ou para qualquer outro país que exija o controle da febre amarela sem estar com a carteira de vacina em dia para febre amarela? Nunca ninguém reclamou, sempre fizemos isso a vida inteira. Agora, tem uma polêmica. Mas tem que ter sim [o passaporte vacinal], é uma forma de controle da doença. Tem que saber que a vacina é uma forma de se proteger e proteger coletivamente. Estando vacinado, diminui o risco de que a gente se contamine, deixamos de ser um possível reservatório do vírus que pode transmitir para outras pessoas. As variantes surgem em países que estão com baixa cobertura vacinal. Quando têm pessoas não vacinadas, o vírus continua se reproduzindo nessas pessoas e vai desenvolvendo variantes para se autoproteger e conseguir nos atacar, então quem não vacina é responsável pelas mutações do vírus que começam a aparecer. Por isso é importante o controle vacinal”.
Algumas cidades do país já determinaram o passaporte vacinal para garantir a entrada de pessoas em shows, estádios, cinemas, bares, mercados, academias e todos os locais que podem gerar grande fluxo de pessoas.

Sobre a cobertura vacinal em Londrina, o médico avalia de forma positiva, porém reforça que é preciso intensificar a imunização para que se atinja mais de 70% da população. “Fica aqui o chamado para quem só tomou a primeira dose, ir adquirir sua imunização completa. E para quem não tomou nenhuma dose, é preciso se vacinar. Qual o argumento científico, humano, social para não se vacinar? É muito individualismo. É um compromisso social, coletivo que temos que cumprir”, finaliza.
Fiama Heloisa - Redação Tem