- Jornalismo
- 27 de agosto de 2019
‘A Vida Invisível’ é o filme indicado do Brasil para tentar vaga no Oscar 2020
Dirigido por Karim Aïnouz, ele venceu mostra no Festival de Cannes. Longa com Fernanda Montenegro tenta indicação a Filme Internacional, após disputa acirrada com 'Bacurau'.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/V/h/0QDiQbRwOKOoVJ4EpXJw/avidainvisivel.jpg)
“A Vida Invisível” foi o filme indicado pelo Brasil para tentar uma vaga no Oscar 2020. Ele disputou com outros 11 concorrentes e tenta agora uma dos cinco indicações na categoria de Melhor Filme Internacional, antes chamada Filme em Língua Estrangeira.
Dirigido pelo cearense Karim Aïnouz, o filme narra a trajetória de duas irmãs cariocas nos anos 1950, com “sonhos soterrados pelo peso de uma sociedade machista”.
Fernanda Montenegro e Carol Duarte dividem o papel de Eurídice. O filme tem estreia prevista para novembro no Brasil e foi o vencedor da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes.
Baseado no romance de Martha Batalha, “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, a ideia era dar voz às mulheres, segundo o cineasta. Foi também uma forma de homenagear sua mãe, que o educou sozinha, e sua avó que viveu 108 anos.
Mais melodramático e com atuações que lembram as do teatro, “A vida invisível” teve como inspiração declarada as telenovelas brasileiras dos anos 1970.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/T/t/GDsOrOR26xAOYqy4igiw/fernanda-montenegro.jpeg)
‘Bacurau’ bem votado
Após quase duas horas de reunião na Cinemateca Brasileira, a comissão especial da Academia Brasileira de Cinema tomou a decisão após ficar dividida.
“Não foi consenso, mas todos gostamos do filme”, declarou Anna Muylaert, presidente da comissão. Segundo ela, o placar foi de 5 para “A vida invisível” contra 4 para “Bacurau”.
“Tomamos a decisão pensando nas chances do filme na campanha americana. É um dos maiores diretores do cinema brasileiro e tem influência no cinema americano, tem a Fernanda Montenegro, que já concorreu ao Oscar, e é um belíssimo filme”.
“A vida invisível” teve seus direitos de exibição comprados pela Amazon e tem produção da RT Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira (de “Me chame pelo seu nome” e “A Bruxa”).
“Praia do Futuro” (2014), “O céu de Suely” (2006) e “Madame Satã” (2002) estão entre os trabalhos anteriores de Aïnouz.
Equipe comemora
O diretor Karim Aïnouz comemorou a escolha e revelou que o filme é dedicado à força das mulheres, sobretudo a sua mãe. “O tema central é contra o patriarcado e como a violência contra as mulheres é naturalizada. Fico muito feliz que seja extremamente político, mas também pessoa. Fui criado por uma mãe solo no Nordeste e é homenagem uma a ela”, disse o diretor em entrevista à GloboNews.
Apesar da mensagem forte, o diretor defende o aspecto emocional de seu filme. “Ele olha para a opressão pela vida das personagens, falamos disso através da emoção. Se passa na década de 1950, mas é muito atual por que ainda precisamos avançar muito”.
Fernanda Montenegro exaltou a produção audiovisual do país. “Isso demonstra que a cultura cinematográfica brasileira, num momento como esse, nos credencia como artistas e cidadãos. Karim merece”.
Redação Tem com G1