- Jornalismo
- 2 de setembro de 2025
Lutador baleado por policial em bar de Londrina fala sobre o caso
Professor de artes marciais recebeu alta da UTI, mas continuará internado.

O lutador e professor de artes marciais David Silveira, de 46 anos, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Londrina, nesta segunda-feira (1), após passar dez dias hospitalizado recebendo tratamentos intensivos, já que a bala continua alojada em seu corpo.
Ele foi atingido por disparo de arma de fogo do policial militar Rafael Rodrigues, que estava de folga, após uma briga dentro de um bar localizado na área central de Londrina, no dia 23 de agosto. O caso ganhou repercussão regional e as imagens de uma câmera de segurança circularam nas redes sociais.
A bala perfurou o intestino e a bexiga, e agora está alojada no quadril do lutador. Por isso, ele continuará no hospital recebendo os cuidados médicos, sem previsão para liberação.
David enviou um vídeo ao Meio Dia Paraná, da RPC TV, contando sua versão sobre os fatos à jornalista Kathulin Tanan. Ele afirmou que o policial e alguns amigos teriam “mexido” com sua namorada dentro do estabelecimento. “Ficaram mexendo com a minha mulher e eu não vi, ela que percebeu. Ela disfarçou, me chamou para ir em outra região do bar, quando eu estava indo embora e passei por trás dele. Um deles, um amigo dele me cumprimentou, falou: ‘Opa, beleza, tudo bem?’, falei ‘Opa, beleza, tudo bem’. Aí, já olhei para os próximos e cumprimentei eles. Aí, ele veio atrás de mim perguntando de onde eu conhecia ele, quem eu era, quem eu pensava que era. Quando eu falei pra ele que eu estava indo embora, e ele falou: ‘Então, vai embora com essa vaga*** aí’. Ele estava bêbado, chapado. Aí quis dar uma de manchão”, diz David no vídeo divulgado pela emissora.
“Se eu estou errado eu não, sei que eu perdi a cabeça e aconteceu o que aconteceu”, completou.
David pediu justiça e disse que deseja seguir a vida. “Quero justiça e esquecer isso aí, quero seguir minha vida. Não estou nem pensando nesse cara, não tenho raiva dele, não tenho ódio dele, só quero sair daqui, voltar a andar e seguir minha vida”, explicou.
Pelas redes sociais ele agradeceu as mensagens de apoio: “Ainda não consegui responder a todo mundo, porque são muitas mensagens (o que me deixa muito feliz!), mas saibam que eu leio tudo e cada palavra me dá mais força. Continuem mandando essas energias incríveis, porque eu sinto cada uma delas chegando até aqui e me ajudando a seguir firme!”, escreveu.

Em razão dos graves ferimentos ainda não é possível saber se David poderá voltar a competir como atleta ou se terá sequelas permanentes.
Versão do policial
Durante entrevista também à RPC TV, o policial militar Rafael Rodrigues negou o assédio e afirmou ter agido em legítima defesa. O agente de folga disse que o lutador ficou lhe intimidando durante todo o momento em que esteve no local. Ele suspeitou que David pudesse estar envolvido em alguma ocorrência anterior e, ao se encontrarem na saída, a discussão teria acontecido. A defesa afirma ele que atirou em legítima defesa após ser agredido, para neutralizar a ameaça.

Investigação
A Polícia Civil (PC) de Londrina continua investigando o caso, colhendo depoimentos de testemunhas e do próprio autor dos disparos, além de analisar as imagens das câmeras. O delegado aguarda a melhora do lutador para que ele possa passar por exame de corpo de delito.
Redação Tem Londrina com RPC TV