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Caso Estela Pacheco: quase 18 anos depois, julgamento acusado deve ser realizado

Mesmo com a morte do juiz que devia analisar o caso, júri está mantido para esta quinta-feira (22)

Depois de quase 18 anos de espera e sete adiamentos, o julgamento do pecuarista Mauro Janene, acusado de matar e jogar a professora Estela Pacheco do 12º andar de um prédio no centro de Londrina, em outubro de 2000, está marcado para às 8h30 desta quinta-feira (22), no Tribunal do Júri de Ponta Grossa, nos Campos Gerais.

O julgamento que deveria ocorrer em Londrina, foi transferido a pedido da defesa de Janene, que alegou que a comoção popular poderia influenciar os jurados.

Foto: Internet

Em 2015, a filha da vítima, Laila Pacheco Menechio, criou o movimento “Justiça para Estela”. Segundo ela, foi uma forma de manter viva a memória da mãe. “É a maneira que encontramos de mostrar nossa indignação. Um crime bárbaro como um feminicídio não pode ficar impune”.

Na manhã de quinta-feira, enquanto é realizado o júri do caso em Ponta Grossa, familiares e amigos da vítima se manifestam em frente ao Fórum de Londrina. Um ato em memória de Estela e com a intenção de fortalecer a busca por justiça desse caso.

A chance de que o júri não se concretize mais uma vez existe, já que a defesa do acusado já entrou com diversos recursos.

Reviravolta
A morte do juiz que devia analisar o caso de Estela Pacheco pegou a todos de surpresa nessa última quarta-feira (21), véspera da data do júri. O magistrado André Luiz Schafranski, de Ponta Grossa, foi encontrado morto perto das 12hno apartamento onde morava, na José do Patrocínio, Vila Estrela. A Delegacia de Homicídios esteve no local e informou que irá investigar o caso. Segundo a polícia, o magistrado foi localizado com um tiro na cabeça. Ele cursou direito na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e atuava no município desde agosto de 2015. Atualmente, coordenava a 2ª Vara Criminal.

O desembargador Renato Braga Brettega, presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, decretou luto oficial de três dias e a suspensão das atividades do Fórum, que manteve as bandeiras a meio mastro.

A assessoria do TJ afirmou que o fato não deve alterar o júri do pecuarista Mauro Janene Costa nesta quinta-feira, a partir de 8h30.

O caso
No dia 14 de outubro de 2000, o corpo de Estela Pacheco foi encontrado no pátio do Edifício Diplomata, na rua Paranaguá, no centro de Londrina, deppois de cair do 12º andar do apartamento onde morava o agropecuarista Mauro Janene. Os dois haviam sido namorados e, segundo as investigações, tinham se encontrado na noite anterior em um bar da cidade e ela teria ido para a casa dele.

O pecuarista Mauro Janene e a professora Estela Pacheco / Foto: Internet

Meses depois, os laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal de Londrina concluíram que Estela já estava morta há pelo menos uma hora quando foi atirada da sacada do 12º andar, a uma altura de 36 metros. Janene foi preso preventivamente e solto dias depois. Em maio de 2001, o Ministério Público concluiu a denúncia por homicídio simples, fraude processual e guarda de entorpecentes.

Em outubro do mesmo ano, o réu é ouvido no processo alegando inocência. Janene disse não saber se o caso se tratava de um acidente ou um suicídio. Entre 2001 e 2005 começam as sucessões de adiamentos. Nesse período, sete audiências foram remarcadas. Entre os motivos estavam “doença cardíaca” e “compromissos profissionais anteriormente assumidos” pelo defensor do réu, à época representado por Mauro Viotto.

Em março de 2017, a defesa conseguiu o desaforamento para Ponta Grossa. Por fim, o julgamento que estava marcado para 22 de fevereiro deste ano, foi adiado por pedido da advogada Gabriela Roberta Silva, que alegou motivo de saúde.


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