- Jornalismo
- 25 de setembro de 2022
Número do Governo do PR é usado para disparo de mensagens pró-Bolsonaro
O governo estadual afirma que a empresa é terceirizada e foi vítima de crime. TSE vai apurar o caso.

Paranaenses receberam, neste sábado (24), mensagens de texto com apoio ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Os usuários do Paraná Inteligência Artificial (PIÁ), ferramenta de comunicação do governo estadual, registraram mensagens que fazem apoio ao atual mandatário e promovem ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso o presidente perca as eleições.
Por meio de nota, o Governo do Paraná afirmou que “o fato aconteceu a partir de uma empresa terceirizada”, a Algar Telecom, e que a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do estado (Celepar) notificou a responsável. No texto, o governo diz repudiar “qualquer tentativa de uso político ou manifestação antidemocrática”. O atual governador e candidato à reeleição Ratinho Junior (PSD) é aliado de Bolsonaro nas eleições.
A mensagem, disparada em massa aos paranaenses faz alusão explicita ao presidente. “Vai dar Bolsonaro no primeiro turno! Senao, vamos a rua para protestar! Vamos invadir o congresso e o STF! Presidente Bolsonaro conta com todos nos!!”, diz o texto. Diversos prints foram divulgados na internet. O número é o mesmo usado na plataforma do governo, por exemplo, para serviços do Detran.
“Para mim é muito comum receber mensagens deste número, com serviços do Detran, confirmando protocolo de recursos, agendamentos por conta do trabalho. Até pelo horário, minha surpresa em receber uma mensagem atípica deste número, de cunho político ideológico. Não obstante, uma mensagem de teor agressivo, antidemocrático, incitando ódio às instituições”, disse um usuário ao G1.
Um documento apurado pelo portal G1 indica que o contrato entre as partes tem valor superior a R$ 4 milhões e prevê pagamento de R$ 0,0412 por SMS. A validade é agosto de 2024.
O governo não detalhou quantos usuários receberam as mensagens. Por nota, a Algar Telecom afirmou ter detectado “um acesso indevido à plataforma, com um IP que não pertence à operadora”. A empresa informou, também, que bloqueou a conta responsável pelos disparos e que “analisa o caso internamente, além de colaborar com a apuração dos fatos”.
A Celepar enviou uma nota afirmando que a companhia e o governo estadual foram vítimas de um crime.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou ter tomado ciência do caso e ter feito um encaminhamento para o MPE pela da parceria do Programa de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) disse ter iniciado investigações para apurar os “responsáveis pelo disparo em massa de mensagens SMS irregulares”.
Redação Tem Londrina com G1