- Jornalismo
- 30 de setembro de 2022
Negacionismo antivacina atrapalha campanha contra pólio em Londrina
Quase metade das crianças entre 1 e 4 anos, não foram vacinadas contra a paralisia infantil. Com baixa vacinação, Brasil vê risco da doença retornar.

A Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite (paralisia infantil) prossegue em Londrina até este sábado (1). As crianças de 1 a 4 anos que ainda não receberam a dose devem ser levadas até os postos de vacinação. A Prefeitura de Londrina vai estender o prazo até amanhã, com uma campanha de imunização no Calçadão e no estacionamento do Londrina Norte Shopping, próximo ao Circo Maximus. Não é necessário fazer agendamento prévio. No ato da vacinação, a criança deve portar um documento pessoal com foto ou certidão de nascimento e carteira de vacina.
Por meio desta campanha, as crianças recebem Vacina Oral Poliomielite (VOP), de gotinha, desde que já tenham completado o esquema inicial com três doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP).
A paralisia infantil é uma doença contagiosa aguda causada por vírus que pode infectar crianças e adultos e em casos graves pode acarretar paralisia nos membros inferiores. A vacinação é a única forma de prevenção e todas as crianças menores de cinco anos devem ser vacinadas.
De acordo com dados da Secretária Municipal de Saúde (SMS) de Londrina, desde o início da campanha, o município atingiu apenas 50% do público-alvo, sendo que a meta era atingir 95%.
“Infelizmente, há baixa cobertura vacinal em todo o Brasil. Os municípios e estados se esforçaram, lançaram estratégias, mas a falta de conscientização é o grande dificultador para que a gente pudesse melhorar a cobertura vacinal. Até porque as crianças de 1 a 4 anos não vão até uma unidade de vacinação sozinhas, precisavam que os pais e os responsáveis tivessem a conscientização para protegê-las”, diz o secretário de Saúde, Felippe Machado.

O gestor ainda explicou sobre os riscos de a doença voltar, em razão da baixa imunização. “Com uma cobertura vacinal nessa porcentagem, nós temos infelizmente um risco da reinserção da doença”, afirma.
“A doença foi erradicada por causa da conscientização que as pessoas tiveram no passado, a importância da vacinação, de levarem os filhos para vacinar. O que a gente vem observando é que desde 2014 uma grande onda vacinação surgiu no mundo impulsionada pelas fake news (notícias falsas) e pela internet, isso acaba tomando força e atrapalha os trabalhos dos profissionais da saúde. Temos um exemplo que é a questão do sarampo, após vinte anos, vimos no Paraná, o retorno do sarampo causada pela baixa cobertura vacinal”, explica Machado.
No Brasil, a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite também ficou longe de atingir a meta estabelecida de pelo menos 95%. Segundo dados do Ministério da Saúde, 54% das crianças foram imunizadas até quarta-feira (28) — um total de 6.273.472 doses. Nenhum dos estados alcançou a meta, sendo a Paraíba a unidade federativa que mais se aproximou da marca, com 86,82%. Em último aparece Roraima, com apenas 23,17%.
Redação Tem Londrina