Agora o TEM é multiplataformas: leia, ouça e assista.

Segurança portátil: é possível confiar apenas nas configurações de privacidade do celular?

Imagem: Reprodução/Pexels

O Brasil concentra mais de 60% das detecções de malware feitas na América Latina e também observa um expressivo crescimento na incidência de ataques de phishing, de acordo com reportagem do site Olhar Digital. Já o IBGE revelou recentemente que, ao final de 2024, 167,5 milhões de brasileiros acima dos 10 anos de idade tinham um celular para uso pessoal e 98,8% desse contingente acessava a internet por meio do aparelho.

Levando em conta que o acesso à rede em computador foi de apenas 33,4% dessa população e pelo tablet de 8,3%, é justo haver preocupação quanto a cibercriminosos mirando nos telefones móveis como principais alvos de seus golpes.

Nesse sentido, cabe entender quais medidas de privacidade já incluídas no celular podem ser usadas para proteção e quais lacunas podem ser preenchidas com ferramentas de cibersegurança.

Autenticação biométrica e por códigos

Um aspecto fundamental da segurança digital num celular é ter controle de acessos de aplicativos e funções sensíveis do aparelho. Além de limitar o acesso físico aos dispositivos, a configuração de reconhecimento por biometria por meio de impressão digital ou reconhecimento facial já é realidade há anos tanto em celulares iPhone quanto Android.

Além deles, códigos alfanuméricos (senhas e PINs) e desbloqueio por padrões na tela (em celulares Android) podem ser usados como alternativa à biometria ou em conjunto com ela para robustecer privacidade na máquina.

Todos esses recursos podem ser ativados no menu Configurações > Segurança (para Android) e no menu Face ID & Código (em sistemas iOS).

Criptografia de dados

No campo da criptografia do aparelho é que uma conexão VPN se destaca, suprindo recursos que nem celulares Android e nem iPhones oferecem.

É bem verdade que houve uma evolução muito positiva no esforço por criptografia gerada já com recursos vindo de fábrica nos dispositivos de ambos os sistemas operacionais.

Nos celulares Android, os arquivos são criptografados individualmente, com chaves distintas. Isso dificulta o acesso a todos os dados em caso de invasão, por exemplo. Essa inovação foi ativada como padrão desde a geração Android 9 (2018).

Já os iPhones trazem criptografia de todo seu disco rígido em padrão AES-256, que é ativada automaticamente ao criar um código de acesso (citado na seção anterior). Mas o ponto mais interessante dos celulares da Apple é também proteger com chaves os backups de arquivos feitos nos servidores iCloud.

Aqui, entra a VPN como ferramenta adicional de criptografia e privacidade. Uma VPN é um serviço que gera uma rede privada virtual: ela cria um “túnel” para todas as comunicações de internet, canalizando-as com o acesso a um servidor privado seguro.

Isso significa que a conexão VPN atua protegendo trocas de dados como as feitas ao acessar aplicativos e navegadores de internet. É uma proteção relevante porque os aplicativos são praticamente onipresentes há anos e variam em qualidade de desenvolvimento – muitos deles têm configurações boas de segurança e uso de dados, mas muitos deles não.

Por fim, uma VPN também oferece uma camada extra de segurança ao usar redes Wi-Fi públicas, onde muitos cibercriminosos têm maneiras de bisbilhotar dados de quem as acessa.

Proteção contra malwares e apps maliciosos

Tanto os sistemas Android como os iOS têm mecanismos para escanear e isolar aplicativos e bloquear downloads perigosos. Os iPhones são mais fechados e sequer permitem instalações de aplicativos por fora da loja oficial.

No entanto, para ambos os tipos de celular, baixar um programa antivírus de confiança é uma atitude bastante relevante. Tais programas são capazes de fazer varreduras impossíveis de serem realizadas com as configurações de fábrica. Alguns deles também fornecem maneiras de isolar e deletar arquivos comprometidos.

Atualizações de segurança

Também não pode ser ignorada a importância das atualizações automáticas de segurança dos sistemas iOS e Android. Nestes, os pacotes de segurança são baixados mensalmente pelo aplicativo Google Play System Updates. Mais recentemente, foi implementado um recurso que usa IA para detectar ameaças em tempo real (Private Compute Core).

Nos iPhones, as atualizações de segurança são rápidas e sem reinicialização (Rapid Security Responses), o que é mais conveniente para os usuários. O suporte a essas atualizações é de 7 anos.

Aliás, o prazo de suporte é um ponto de atenção crucial para quem tem celulares antigos, especialmente modelos de sistema Android. Para eles, a troca periódica de aparelho torna-se uma questão de necessidade de segurança.

Conclusão

Há muitas ferramentas de cibersegurança nativas nos celulares modernos e a evolução rápida de inteligência artificial já traz frutos nesse campo. Tudo isso promete uma boa experiência para usuários se protegerem de ameaças digitais.

No entanto, observamos que ainda há aberturas para vulnerabilidades principalmente no bloqueio de malwares e na criptografia dos acessos à internet, que atualmente são constantes. Por isso, uma conexão VPN e um programa antivírus são aliados indispensáveis para todo usuário de celular.

Redação Tem Londrina com Assessoria


Mais lidas hoje no Tem


Leia também

Mais lidas hoje no Tem